O relógio assinalava três horas. Fui ao dentista e esperei pelo atendimento em uma sala clara e muito bem ventilada, cercada pelas portas de outras que desembocavam nesta como "afluentes do Amazonas". Lia "Caras" e bebia água como se fosse um prossecco. Os ponteiros mudavam lentamente e minhas pupilas corriam sobre as letras da matéria que expunha o casamento de uma famosa pouco famosa e bem abastada. Um vendaval acertou as páginas da revista. Mais uma pessoa chegara à sala. Era uma mulher. Sentou-se defronte à minha face insossa e sorriu com uma boca escarlate como se estivesse obtendo pelos movimentos dos músculos faciais um prazer deleite. Mascava, pelo visto, um "Bubaloo" - só de lembrar daquele recheio orgástico, deliro - sabor morango. Suas nuances pareciam fazer-se vivas e desejosas de aparecer. Cruzava e descruzava as pernas para excitar homens naquilo que era um protótipo de locomoção encoberto por uma carne macia e bronzeada. A matéria tornou-se desinteressante. Minhas pupilas, agora, corriam para outro lugar. E é esse que pensam. Ela estava desprovida de roupa íntima. E eu lembrava do Bubaloo. Logo fui chamado pela secretária para ir até ao balcão fazer uma ficha. Ela levantou-se também e caminhou logo atrás de mim. Paramos.
_ Está calor aqui, né? - sussurrou, sensualmente, a mulher.
_ Tá... tá... tá! - murmurei
_ E por que não tira a sua? - indagou ela.
O ataque dos gnomos não demorou a ocorrer. Em um banheiro branco, sujo e com espelho quebrado, eles expulsaram toda a sua "maldade"...
1 comentários:
Hormônios.
Postar um comentário