Minha casa tem uma horta
Onde não tem água para "irrigá"
As crianças que aqui comem
Não comem como lá
Aqui tem terra
Lá, água
Ora, moro no Brasil
Nordeste é minha terra
Meu pezinho de alface, cultivei
Molhei com cuspe
Ele cresceu frágil
Amava o meu pezinho de alface
Tive fome
Olhei para ele
Decidi "comê-ele"
Mas eu não queria comê-lo
Amava-o tanto
Como poderia comer?
Ou melhor, como poderia amar?
A verdade é que não dá para amar com fome
Comi o pezinho de alface
Agora posso amar
Mas quem?
Ninguém gosta de mim
Só meu pezinho de alface
Cultivarei outro
Mas se eu tiver fome de novo?
Alface! Amar-te-ei até a morte
E, certamente, morrerei de fome
Porque aqui ou se ama ou se come
Não permita, Deus, que eu morra
Sem que eu vá para lá
Sem que desfrute os primores de comer e "amá"
Sem qu’inda aviste as hortas
Onde tem água para "irrigá"
Pezinho de alface
Postado por uma interrogação
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