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uma interrogação
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NERDEMÊNCIA

O pensamento oblíquo implica personalidade átona

Pirulito

Hoje foi manhã fria e pouco convidativa aqui. E agora escrevo, sentado em um banco da praça central, este post após uma sucessão de situações embaraçosas que ocorreram comigo. Há poucas horas decidi comprar um pirulito. Um velho, mais precisamente Jeremias (segundo fontes policiais), vendia seus doces coloridos em uma banca de isopor encardida.
_ Quanto é, moço?
_ Moço? Obrigado pelo elogio, garotinho - disse moço, pois pretendia um abatimento no valor do produto.
_ São dez dólares, queridinho (sic).
_ Dez dólares? Essas coisas são cotadas em dólares?
_ Sim, espertinho.
Titubearia por muito tempo com o bom vendedor e não teria comprado o pirulito, entretanto, a sua aparência fora descrita da seguinte maneira:
_ Olhe, clientezinho, as voltas coloridas que tem aquele ali!
_ Olhe a alternância de cores. Veja, aponte seus olhos para esta maravilha!
E as ondas foram me levando, levando... Era um pirulito psicodélico. Eu persisti em não olhar e, quando vi, a extorsão foi certa. Perdi vinte e sete reais em tempos de crise econômica. Descobri, depois, que a cotação era de dois mil e sete e este dinheiro integraria a minha inscrição no "ENEM".

Postado por uma interrogação

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