I
Recuo na angústia
o medo por nunca ser
quem você mais quis
aquele de quem sente saudade
aquele ao qual se entrega
todas as noites,
nas mais
enfeitadas pelas estrelas.
Vivo nas incertezas.
na felicidade
por um simples
sorriso
por um simples cumprimento.
Na partida, vão-se meus sonhos
todos aqueles
que me prometiam
os mais intensos prazeres
com você.
II
Coube a mim, a idolatria.
E subordinação
aos teus
prendedores carnais
pérfidos.
E agora pedes socorro?
Lembra-te de que não tenho mais
coração.
Eu hei de ver tua agonia
hei de chutar teu rosto
hei de cuspir sobre teus olhos.
Empurrar-te-ei naquela sarjeta,
aquela conhecida de outrora,
a mesma na qual tu jogaste meu presentinho,
que dissecou com tua indiferença
numa chuva lacrimosa
do teu desprezo.
III
Não tento ver minha imagem refletida
nessas águas artificiais
da piscina
que de lado a lado
o vento leva
distorce
regenera
e só me mostra assim, sempre:
só.
Nem folhas, nem galhos.
Como é possível
esta face espessa
ser tão facilmente projetada
nessa tela
clara?
IV
O tempo fecha:
imersas.
O tempo abre:
imersas.
E meu coração permanece
curtido nesse vidro
de desencantos.
Mas com azeite.
Quando as flores brotarão?
E as sementes sempre imersas.
Numa tarde
Postado por uma interrogação
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1 comentários:
Q?
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