Da efemeridade,
surjo, flor
para a contemplação
dos pássaros
que me tiram o néctar
atrativo recalcado,
sugam minha ingenuidade para a proliferação
que, de mim, levam as esperanças deslavadas
porque, talvez, minha corola não tenha cores
seja pálida como meu amor
seja escura como meus erros.
Nasci desse cacto seco
desapareço
desapareço
tão rápido
fujo
agonizo
no chão duro
murcho minhas pétalas
escorrem minhas lágrimas
evapora minha água, minha vida
e sirvo para adubo
depois de ser alimento
para insetos
vejo,
na revoada,
sorrisos imundos
do meu estado deplorável
eu, seca,
do amor que queria ter
desfrutado
queria que aquele pássaro
quisesse-me pela essência
pelo perfume,
mas eu não consigo trazê-lo
aqui, perto.
Sou só uma ferramenta,
sou matéria-prima
do perfume que eles dão às andorinhas
que sorriem, que felicitam-se
por terem amores
e terem quem as amam
e, jamais, morrem à espera
de serem apanhadas
para o mais belo buquê,
enfeitarem.
Flor
Postado por uma interrogação
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2 comentários:
Metáforas fantásticas, com uma profundidade inexplicável.
Nossa, seus comentários estão cada vez mais profundos, cada vez mais pertinentes à sua capacidade de avaliá-los.
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